A Tradição Litúrgica Bizantina
A Igreja Católica é composta por 24 Igrejas sui iuris, isto é, de direito próprio que estão em plena comunhão com o Papa, Bispo de Roma. Entre elas, em sentido canônico, a Igreja Católica Romana tem a sua origem no Ocidente, enquanto as demais, conhecidas como Igrejas Orientais, têm suas origens em diversas localidades do Oriente. Os Padres do Concílio Vaticano II, por meio do Decreto Orientalium Ecclesiarum, evidenciaram que embora “difiram em parte entre si no que concerne os ritos – isto é, na liturgia, na disciplina eclesiástica e no patrimônio espiritual – elas encontram-se, porém, de igual modo confiadas ao governo pastoral do Romano Pontífice, que sucede por direito divino ao bem-aventurado Pedro no primado sobre a Igreja universal.
Daí todas resplandecerem com igual dignidade, de modo que nenhuma delas se sobressaia sobre as outras em virtude do rito, todas elas fruindo dos mesmos direitos e tendo as mesmas obrigações, inclusive no que se refere à pregação do Evangelho pelo mundo inteiro (Mc 16, 15) sob liderança do Romano Pontífice”. Também a esse respeito, o São João Paulo II, na Carta Encíclica Ut unum sint, disse que a Igreja Católica deve respirar com os seus dois pulmões: o Ocidental e o Oriental.
Diante deste contexto, a Congregação das Irmãs Servas de Maria Imaculada está inserida na Igreja Católica Ucraniana. Isso significa dizer que a espiritualidade da Congregação é nutrida por uma liturgia, disciplina eclesiástica e o patrimônio espiritual de Tradição Litúrgica Bizantina que está em comunhão com toda a Igreja Católica.
Essa tradição recebe o nome de Bizantina porque a sua origem e desenvolvimento ocorreram em Bizâncio, capital do Império Bizantino – a parte oriental do Império Romano, onde se falava o grego, e que depois passou a ser chamada de Constantinopla da Antiguidade Tardia até a Idade Média, e, atualmente, é conhecida como Istambul, capital da Turquia.
A Tradição Litúrgica Bizantina chegou em terras ucranianas por meio do Príncipe Volodêmer, o Grande, que, ao receber os emissários que havia enviado para Constantinopla, contaram-no: “Os gregos conduziram-nos para onde tributam o culto a seu Deus. E não sabíamos mais se estávamos no céu ou na terra. Porque não há sobre a terra semelhante espetáculo, nem semelhante beleza; e somos incapazes de explicá-la. Sabemos somente que é ali que Deus habita com os homens, e não podemos esquecer esta beleza”. Então, no ano 988, o Príncipe Volodêmer aceitou o Santo Sacramento do Batismo para si e para todo o povo ucraniano, admitindo também a expressão da fé sob a forma bizantina.